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  • - Are you sneaking on me?
    - You tell me.
    - Hmm… still in Lisbon after all these years.
    - It's good to be back, despite the encounters we didn't ask for.
    - Why are you here facing me that way then?
    - Came to tell you you're over.
    - Rubbish! You're insane.
    - Look around. Every bit of life in this place moves through you. You're out of the equation.
    - Ok. So you know what to do… just move on.
    - See the lady next to you, eating the custard pie and that sunburnt tourist couple…
    - And what…?
    - Sweating like their bodies are crying.
    - Come on, the air conditioning is broken, everybody is like that. The heat, man, the heat. This is annoying me. 25 years and you're still the same.
    - How come you're not sweating?
    - See, that's what I'm saying. Still the same with these shitty mystery games. 25 years and there you are, the same…
    - I'm the same all right. Oddly, 25 years turned me into the same. Isn't it weird to you?
    - Calm down, Don't need to shout… I'm not deaf.
    - Pay attention. Fire, fire! Everybody out now!
    - What the… ?!
    - What the… nobody, nobody listened. The guy in the corner keeps on reading the newspaper, two expressos reached the table on the opposite side and the kid behind you, is having a lot of fun playing with his console.
    - What's going on here?
    - You're getting to the point, that's good.
    - What do you want from me?
    - Remember the paramedics, the 911, the hospital and the lights?
    - Sometime ago? That was false alarm, nothing but a big scare.
    - Well, "sometime" was two days ago. Look me in the eyes. No one will listen to you, just me. Tell me. Don't you find awkward, you come out of the hospital by your own feet directly to the coffee house where you spend the last two decades, after a cardiac arrest?
    - Who are you… what are you…?
    - 25 years ago after all the mess in our lives I ran away. Never heard of me since, because the one that was me disappeared. But you kept the hatred that you had me and that turned you, into a coffee house hermit. I've been asked to take you out of here. I don't keep resentments. This was the only way for you to understand. It's over.
    - Just like that.
    - Yes… now there's no end.

    Photo credits: Pedro J Pacheco - http://fotablon.blogspot.com/ under CC license

    ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

    Agora não tem fim.

    - Andas a vigiar-me?
    - Diz-me tu?
    - Ainda por Lisboa ao fim deste tempo todo…
    - Sabe sempre bem voltar, não fossem os encontros que não queremos.
    - Então porque vieste aqui?
    - Para te dizer que morreste.
    - És louco!
    - Olha à tua volta. Tudo passa ao teu lado e não fazes parte da equação.
    - Então já sabes o que fazer… passa ao lado também.
    - Estás a ver a senhora ao teu lado a comer o pastel de nata e aquele casal de turistas com um escaldão?
    - E…?
    - Estão a suar em bica. Eles e todos os outros aqui estão a suar do calor.
    - É natural, o ar condicionado avariou… Esta conversa já me está a irritar. Não mudaste nada. Em 25 anos não mudaste nada. Continuas o mesmo…
    - Porque não estás a suar?
    - É o que eu digo, continuas o mesmo, cheio de mistérios de merda. Não estou a suar porque não sinto calor.
    - Dizes bem. Continuo o mesmo. Não achas estranho em 25 anos estar exatamente igual?
    - Fala mais baixo, não precisas de gritar que não sou surdo!
    - Queres ver? Fooogoo! Saiam todos!
    - És maluco… mas…
    - Mas… ninguém ouviu. O tipo do canto continua a ler a Bola, sairam dois galões entretanto e o puto atrás de ti continua a brincar com a consola.
    - O que se passa aqui?
    - Já lá vamos, estás a começar a perceber alguma coisa, isso é bom.
    - O que pretendes?
    - Há dois dias entraste neste café e ainda não saiste. Bebeste muito e adormeceste. O dia chegou ao fim, os senhores fecharam a caixa, a senhora da limpeza passou o chão e tudo foi arrumado no sítio certo. Tudo menos tu.
    - Como assim?
    - Lembras-te da ambulância, do hospital, os médicos e as luzes?
    - Há uns tempos? Isso foi falso alarme, afinal não passou de um susto.
    - Há uns tempos foi há dois dias. Olha para mim. Ninguém te vai ouvir agora. Só eu. Diz-me uma coisa, não achas estranho saires do hospital pelo teu pé a vires aqui para o café onde passaste invariavelmente os últimos 25 anos da tua vida, após teres tido uma paragem cardíaca?
    - Quem és tu?
    - Sou o fim quando vamos iniciar outro dia.
    - Estou confuso.
    - Há 25 anos, depois daquela embrulhada toda, fui para longe e nunca mais ouviste nada de mim porque aquele que eu era desapareceu. Apenas ficaste com o ódio que me tinhas. Pediram-me para te tirar daqui porque não guardo ressentimentos. Era a única forma de compreenderes. Acabou.
    - Acaba assim?
    - Sim, agora não tem fim.
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